{"id":6686,"date":"2020-05-17T19:30:00","date_gmt":"2020-05-17T18:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/pharmabiz.pt\/?p=6686"},"modified":"2020-06-12T01:51:11","modified_gmt":"2020-06-12T00:51:11","slug":"defenicao-de-doenca-celiaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pharmabiz.pt\/en\/defenicao-de-doenca-celiaca\/","title":{"rendered":"Defini\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7a Cel\u00edaca"},"content":{"rendered":"<p>Alimentos e Intoler\u00e2ncias Alimentares<br \/>\nTodos sabemos que os alimentos s\u00e3o indispens\u00e1veis \u00e0 vida pois fornecem as subst\u00e2ncias necess\u00e1rias para o normal crescimento e desenvolvimento e at\u00e9 para a manuten\u00e7\u00e3o da nossa actividade di\u00e1ria. No entanto, eles s\u00f3 podem ser utilizados pelo organismo ap\u00f3s terem sido digeridos e absorvidos pelo tubo digestivo: a digest\u00e3o e absor\u00e7\u00e3o s\u00e3o portanto fun\u00e7\u00f5es fundamentais para a manuten\u00e7\u00e3o e bem estar do ind\u00edviduo.<\/p>\n<p>H\u00e1 contudo algumas pessoas que n\u00e3o suportam determinados alimentos pois quando estes s\u00e3o ingeridos e entram em contacto com a mucosa do intestino, v\u00e3o desencadear reac\u00e7\u00f5es mais ou menos violentas que provocam les\u00f5es e perturbam o seu normal funcionamento, nomeadamente no que diz respeito \u00e0 digest\u00e3o e absor\u00e7\u00e3o. Diz-se ent\u00e3o que existe uma INTOLER\u00c2NCIA ALIMENTAR, a qual pode ser contra o peixe, o marisco, o leite, etc. e manifestar-se por per\u00edodos mais ou menos longos da vida destes indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Quando uma situa\u00e7\u00e3o deste tipo diz especificamente respeito ao GL\u00daTEN e se manifesta de forma permanente e definitiva, pode dizer-se que se trata de DOEN\u00c7A CEL\u00cdACA.<\/p>\n<p>O Gl\u00faten<br \/>\nO gr\u00e3o de trigo tem, como os outros cereais, uma estrutura complexa em cuja composi\u00e7\u00e3o entram muitas subst\u00e2ncias das quais nem todas s\u00e3o agressivas para o intestino do cel\u00edaco. O pericarpo e o g\u00e9rmen s\u00e3o geralmente aproveitados no processo de produ\u00e7\u00e3o da farinha, constituindo aquilo a que vulgarmente se chama o farelo. Naturalmente n\u00e3o ser\u00e1 a\u00ed que encontraremos o respons\u00e1vel pela doen\u00e7a.<\/p>\n<p>No que respeita ao endosperma, h\u00e1 que considerar por um lado o amido (que est\u00e1 totalmente inocente neste processo!), e por outro, um numeroso grupo de prote\u00ednas com caracter\u00edsticas f\u00edsico-qu\u00edmicas diversas. Neste grupo podemos distinguir aquelas que se dissolvem na \u00e1gua (albuminas e globulinas) das que o n\u00e3o fazem.<\/p>\n<p>\u00c9 ao conjunto das prote\u00ednas insol\u00faveis que se chama genericamente GL\u00daTEN e foi a partir dele que se isolaram diversas frac\u00e7\u00f5es com efeitos nocivos para o cel\u00edaco. Na pr\u00e1tica por\u00e9m, \u00e9 apenas o gl\u00faten que nos interessa. A sua &#8220;agressividade&#8221; depende da sua composi\u00e7\u00e3o e como esta n\u00e3o \u00e9 igual em todos os cereais, eles s\u00e3o tolerados de forma diferente: Assim, enquanto o trigo, o centeio e a cevada t\u00eam de ser completamente afastados da alimenta\u00e7\u00e3o do cel\u00edaco, outros cereais como o milho e o arroz s\u00e3o perfeitamente inofensivos. Quanto \u00e0 aveia, o problema n\u00e3o est\u00e1 bem esclarecido e alguns autores consideram-na mesmo inofensiva. isto por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 normalmente aceite e por isso ela ser\u00e1 colocada aqui ao lado dos outros cereais agressores.<\/p>\n<p>A Doen\u00e7a Cel\u00edaca<br \/>\nQuando o intestino de um cel\u00edaco tem de suportar uma alimenta\u00e7\u00e3o sem restri\u00e7\u00f5es, o gl\u00faten dos cereais habitualmente consumidos vai provocar altera\u00e7\u00f5es t\u00e3o profundas que impedem o normal aproveitamento dos alimentos e levam ao aparecimento dos sintomas. Se o gl\u00faten for retirado essas altera\u00e7\u00f5es desaparecem e tudo volta ao normal&#8230;desde que o doente n\u00e3o deixe de cumprir a dieta!<\/p>\n<p>Esta doen\u00e7a pode aparecer em qualquer idade desde que o gl\u00faten j\u00e1 tenha sido inclu\u00eddo na alimenta\u00e7\u00e3o. O habitual \u00e9 surgir pelo segundo ou terceiro semestre da vida (entre os 6 e os 20 meses de idade), alguns meses depois da introdu\u00e7\u00e3o das farinhas na alimenta\u00e7\u00e3o (papas, p\u00e3o, bolachas, etc.). A crian\u00e7a come\u00e7a a perder o apetite, deixa de aumentar de peso, torna-se triste e irrit\u00e1vel, as dejec\u00e7\u00f5es come\u00e7am a ser mais frequentes, moles e volumosas (diarreia) e o abd\u00f3men (a &#8220;barriga&#8221;) torna-se mais saliente e distendido. Se o diagn\u00f3stico n\u00e3o f\u00f4r feito e a dieta institu\u00edda, a situa\u00e7\u00e3o vai-se agravando e a crian\u00e7a atinge por vezes estados de malnutri\u00e7\u00e3o muito grave. Num pequeno n\u00famero de casos os sintomas s\u00e3o diferentes: \u00e0s vezes aparecem apenas v\u00f3mitos de repeti\u00e7\u00e3o, dores abdominais de intensidade vari\u00e1vel, pris\u00e3o de ventre ou apenas um atraso de crescimento sem explica\u00e7\u00e3o aparente.<\/p>\n<p>S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que s\u00f3 um m\u00e9dico experimentado associa \u00e0 doen\u00e7a cel\u00edaca e que podem levar muito tempo para serem diagnosticadas. Por raz\u00f5es que desconhecemos, as manifesta\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a s\u00e3o geralmente mais intensas nos primeiros anos de vida e tendem depois a diminuir de intensidade. Assim, na crian\u00e7a mais velha e no adolescente, as falhas na dieta n\u00e3o levam muitas vezes \u00e0 diarreia e o doente continua a sentir-se bem. Este facto pode levar, como j\u00e1 vimos, ao abandono do tratamento.<\/p>\n<p>Infelizmente a doen\u00e7a cel\u00edaca n\u00e3o tem cura pelo que a reintrodu\u00e7\u00e3o do gl\u00faten na alimenta\u00e7\u00e3o determinar\u00e1 mais tarde ou mais cedo o reaparecimento de alguns sintomas: anemia, aumento discreto do volume do abd\u00f3men, baixa no rendimento escolar, paragem do crescimento, aus\u00eancia ou perturba\u00e7\u00f5es da mestrua\u00e7\u00e3o e, no adulto, baixa de fertilidade ou mesmo esterilidade. Deve portanto acentuar-se que uma vez estabelecido com seguran\u00e7a o diagn\u00f3stico, A DIETA TER\u00c1 DE SER CUMPRIDA DURANTE TODA A VIDA.<\/p>\n<p>O que ainda n\u00e3o est\u00e1 perfeitamente esclarecido \u00e9 a raz\u00e3o pela qual s\u00f3 algumas pessoas s\u00e3o intolerantes ao gl\u00faten e desenvolvem a doen\u00e7a. \u00c9 natural que intervenham aqui factores relacionados com a alimenta\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, o que poder\u00e1 de alguma forma justificar a inexist\u00eancia desta patologia nos pa\u00edses do oriente onde a base alimentar n\u00e3o \u00e9 o trigo.<\/p>\n<p>Hoje por\u00e9m n\u00e3o restam d\u00favidas de que existe uma predisposi\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria claramente transmitida, pois as fam\u00edlias de cel\u00edacos contam com um n\u00famero de doentes francamente superior ao que seria de esperar na popula\u00e7\u00e3o em geral. Os estudos efectuados permitiram calcular ser cerca de 10 vezes maior o risco de reaparecimento da doen\u00e7a ap\u00f3s o primeiro caso num dos pais ou irm\u00e3os. Quando a doen\u00e7a existe em parentes afastados, este risco \u00e9 muito mais pequeno. Ser\u00e1 provavelmente da conjun\u00e7\u00e3o destes dois tipos de factores que resulta o terreno favor\u00e1vel para o aparecimento da doen\u00e7a. Esta parece corresponder a uma perturba\u00e7\u00e3o do sistema de defesas do organismo que, em consequ\u00eancia disso, reagiria de forma anormal ao gl\u00faten alimentar provocando assim as altera\u00e7\u00f5es da mucosa intestinal e, em \u00faltima an\u00e1lise, o aparecimento dos sintomas.<\/p>\n<p>Doen\u00e7a Cel\u00edaca: Uma hist\u00f3ria longa mas interessante<br \/>\nH\u00e1 cerca de 10 000 anos os povos verificaram que era poss\u00edvel semear a terra e obter colheitas de cereais como o trigo, por exemplo. A partir de ent\u00e3o o seu rendimento era tal que lhes permitiu viverem no mesmo s\u00edtio sem necessidade de andarem constantemente \u00e0 procura de alimentos. Uma consequ\u00eancia desta descoberta foi a civiliza\u00e7\u00e3o, outra foi o risco de ter a doen\u00e7a cel\u00edaca!<\/p>\n<p>No s\u00e9c. II um grego, Aretaeus da Capad\u00f3cia, descreveu doentes com um determinado tipo de diarreia usando a palavra &#8220;Koiliakos&#8221; (aqueles que sofrem do intestino). Tudo leva a crer que j\u00e1 nessa altura ele se referia \u00e0quilo que em 1888 Samuel Gee, um m\u00e9dico de Londres, observou em crian\u00e7as e adultos e que designou por &#8220;afec\u00e7\u00e3o cel\u00edaca&#8221;, aproveitando tamb\u00e9m o termo grego. No seu escrito, Gee previa com grande intui\u00e7\u00e3o que &#8220;controlar a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a parte principal do tratamento&#8230;a ingest\u00e3o de farin\u00e1ceos deve ser reduzida&#8230;e se o doente pode ser curado, h\u00e1-de s\u00ea-lo atrav\u00e9s da dieta&#8221;.<\/p>\n<p>Nos anos que se seguiram, v\u00e1rios m\u00e9dicos, particularmente pediatras, dedicaram-se a observar e a tentar compreender as causas desta doen\u00e7a, embora poucos avan\u00e7os se tenham obtido. Durante a 2\u00aa Guerra Mundial o racionamento de alimentos imposto pela ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3 reduziu drasticamente o fornecimento de p\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o holandesa. O prof. Dicke, de Utrech, verificou ent\u00e3o que as crian\u00e7as com &#8220;afec\u00e7\u00e3o cel\u00edaca&#8221; melhoravam da sua doen\u00e7a apesar da grave car\u00eancia de alimentos. Associou este facto com o baixo conte\u00fado da dieta em cereais.<\/p>\n<p>Esta associa\u00e7\u00e3o seria confirmada mais tarde em Birmingham por Charlotte Anderson e trabalhos de laborat\u00f3rio viriam demonstrar finalmente que o trigo e o centeio continham a subst\u00e2ncia que provoca a doen\u00e7a: o gl\u00faten! J. W. Paulley, um m\u00e9dico ingl\u00eas, observara entretanto num cel\u00edaco operado que a sua mucosa intestinal n\u00e3o tinha o aspecto habitual; este facto, confirmado por outros investigadores, foi extremamente importante pois essas altera\u00e7\u00f5es passariam a permitir um diagn\u00f3stico com bases seguras.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia desta descoberta aumentou quando nos anos 50 um oficial americano, Crosby, e um engenheiro, Kugler, desenvolveram um pequeno aparelho com o qual se podiam efectuar bi\u00f3psias do intestino sem necessidade de operar o doente. Este aparelho, a c\u00e1psula de Crosby, ainda hoje, com pequenas modifica\u00e7\u00f5es, \u00e9 usado para fazer o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a cel\u00edaca.<\/p>\n<p>Ao longo do tempo esta doen\u00e7a tem sido chamada de muitas maneiras, como celiaquia, enteropatia sens\u00edvel ao gl\u00faten, sprue cel\u00edaco, sprue n\u00e3o tropical, etc. Todos estes nomes se referem \u00e0 mesma situa\u00e7\u00e3o mas alguns deles foram utilizados por investigadores que estavam convencidos de que se tratava de um problema diferente.<\/p>\n<p>Para terminar com este estado de coisas, a Sociedade Europeia de Gastroenterologia e Nutri\u00e7\u00e3o Pedi\u00e1trica (ESPGAN) prop\u00f4s em 1969 um certo n\u00famero de crit\u00e9rios que permitissem um diagn\u00f3stico e tratamento correctos. Assim, quando falamos de doen\u00e7a cel\u00edaca estamos a referir-nos a uma situa\u00e7\u00e3o de intoler\u00e2ncia permanente ao gl\u00faten que se acompanha de les\u00f5es do intestino mais ou menos caracter\u00edsticas, les\u00f5es estas que melhoram quando o gl\u00faten \u00e9 retirado da alimenta\u00e7\u00e3o e voltam a agravar-se quando ele \u00e9 reintroduzido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alimentos e Intoler\u00e2ncias Alimentares Todos sabemos que os alimentos s\u00e3o indispens\u00e1veis \u00e0 vida pois fornecem as subst\u00e2ncias necess\u00e1rias para o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6810,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[287],"tags":[],"class_list":["post-6686","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-health-and-wellness"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pharmabiz.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pharmabiz.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pharmabiz.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pharmabiz.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pharmabiz.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6686"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pharmabiz.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6686\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pharmabiz.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6810"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pharmabiz.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pharmabiz.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pharmabiz.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}